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Coluna de Sexta - 25/02/2022: O nosso limite

Foto do escritor: Gustavo Tamagno Martins
Gustavo Tamagno Martins
24 de fev. de 2022
2 min de leitura

Ilustração: Pascal Campion

O pai da psicanálise, Freud, já dizia que somos feitos de carne, mas temos que viver como se fôssemos de ferro. Desde os nossos afazeres domésticos até as nossas obrigações profissionais, sempre precisamos produzir cada vez mais e dar conta de tudo. A gente quer correr contra o tempo, passar do limite de velocidade, para tentar finalizar todas as pendências da vida. E sempre sobra mais alguma coisa para fazer.


Dias desses cheguei para a minha mãe e desabei: “não aguento mais, passei dos meus limites”. Por mais que a gente tenha a síndrome de super-herói e queira carregar tudo e todos nas costas, nós não conseguimos. E precisamos normalizar isso. Precisamos de uma vez por todas perceber os nossos limites, até onde a gente consegue ir. Se tem uma atitude linda e humana nessa vida é a de reconhecer o quanto somos vulneráveis e dependentes uns dos outros. Nunca vamos conseguir nada sozinhos. Sempre necessitamos de algum apoio ou de uma companhia. Justamente por isso que eu tenho meu limite e você tem o seu.


O dilema é estabelecer limites, antes que a gente chegue no limite. E o limite tem tudo a ver com equilíbrio. Pois são nessas fases complicadas, quando estamos exaustos e no limite das forças que se não mantivermos um equilíbrio emocional, temos grandes chances de perder as rédeas de vez. Não tem nada de errado em admitir: “tentei de tudo, mas meu limite vai até aqui”. Se a gente não impor limites a nós mesmos, a vida fará por nós - ou o nosso próprio corpo.


É super comum ouvir histórias de pessoas que trabalham feito loucas, sem descansar e aproveitar momentos de lazer e do nada descobrem que estão doentes e precisam fazer uma parada obrigatória. A missão é ter sabedoria para não ultrapassarmos os nossos limites e humildade para reconhecer que não sabemos tudo e que jamais vamos dar conta de tudo. A gente vai precisar abrir mão de algumas coisas para dar conta de outras e está tudo bem. Normalizar os nossos limites é um ato de amor, em especial, com nós mesmos.

 
 
 

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