Coluna de Sexta - 18/03/2022: Mãos que falam

Atualizado: 26 de mar. de 2022

A correção de parte deste texto foi publicada em nova crônica. Abaixo está em cor verde as palavras que foram equivocadas.
Quem me conhece sabe, não sou fã da área esportiva. Nunca gostei de acompanhar partidas e muito menos tenho um time do coração. Pode ser que isso me torne um pouco peculiar, eu diria, já que grande parte dos colegas que entram no curso de Jornalismo tenham apreço e foco para tal atuação. E não os julgo. Cada um com suas motivações e preferências. Por mais que não seja o meu forte, no entanto, querendo ou não, hoje vou precisar falar de esporte - ou melhor, diversas modalidades dele. Para os desavisados de plantão, Caxias do Sul sediará daqui a pouco mais de 40 dias um grande evento, de forma inédita na América Latina, as Surdolimpíadas de Verão. Serão mais de quatro mil atletas surdos de mais de 100 países para disputar 21 modalidades.
Bom, não é sobre o evento em si que quero falar, mas sim sobre a oportunidade que ele pode trazer de escancarar mais uma vez a importância da inclusão social, principalmente ao se tratar da comunidade surda. Lembro que um tempo atrás entrevistei o pai de uma menina portadora de Síndrome de Down, bem na época em que o presidente instituiu um decreto que pretendia incentivar a matrícula de pessoas com deficiência, transtornos globais de desenvolvimento e superdotação em escolas especiais e não em escolas regulares. Ele me lamentou e mostrou a sua preocupação justamente por reconhecer a importância de ela frequentar uma escola regular. Ainda bem que a decisão foi suspensa pelo STF. E a inclusão com os surdos deve ocorrer da mesma forma. Inclusão é inserção. Fora isso, é exclusão, diferenciação.
Espero que com a realização das Surdolimpíadas por aqui, os nossos governantes percebam de uma vez por todas a relevância da educação inclusiva, de incluir as pessoas surdas junto com a comunidade ouvinte. E mais do que isso, implementar o ensino de Libras nas escolas - um projeto sempre debatido, mas nunca executado. Que as nossas crianças possam aprender desde cedo que alguns coleguinhas usam como ferramenta de comunicação as próprias mãos. E mais do que respeitar isso, que elas possam acolhê-los e fazer o uso da Língua Brasileira de Sinais. Desejo que essa não seja apenas mais uma utopia do sonhador e idealista que vos fala.
OUÇA A CRÔNICA EM ÁUDIO
Narração: Carlos Eduardo Piva Wille



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