Coluna de Sexta - 25/03/2022: Não é bem assim


Na ânsia de querer que a comunidade ouvinte aprenda Libras e não fique apreensiva ao ter contato com os surdos, acabei cometendo um equívoco e me expressando mal em meu último texto. Gostaria de esclarecer que a minha luta pela inclusão social é a implementação de Libras como uma disciplina nas escolas regulares, para que a comunidade surda se sinta mais acolhida pelos ouvintes.
Portanto, posso ter ultrapassado uma barreira que não é favorável à educação dos surdos: a inclusão deles em escolas regulares. Estive conversando com diversas pessoas especialistas, que vivenciam isso diariamente, e a experiência de estudantes e pais com a inclusão escolar dos surdos - que já foi feita por aqui - não é positiva. Vale lembrar que Caxias do Sul é referência no assunto e conta com o excelente trabalho da Escola Municipal Especial de Ensino Fundamental (EMEEF) Helen Keller e da Escola Estadual Especial de Ensino Médio (EEEEM) Helen Keller.
Afinal não basta um intérprete na sala de aula e eles aprendem como os ouvintes. A educação da criança surda precisa ser em uma escola de surdos porque ela necessita de modelos surdos, professores surdos ou bilíngues, para que consiga aprender a Língua de Sinais de uma forma visual-espacial. A aprendizagem do surdo se dá por um processo diferenciado, realizado de forma bilíngue, unindo a Língua de Sinais (L1) e a L2, que é a língua escrita que representa a oral-auditiva. Ou seja, não é bem assim incluir os surdos em escolas regulares. Com o ímpeto de tentar ajudar, isso comprometeria a educação da comunidade surda. E não é o que queremos, obviamente.
Por outro lado, volto a reforçar, com a luz de um evento de tamanha magnitude que vai movimentar a cidade na primeira quinzena de maio, o apoio à inserção de Língua Brasileira de Sinais nas escolas. Isso sim queremos e talvez não tenha ficado tão claro em minha última manifestação. Ainda quero ver com meus próprios olhos essa conquista.



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