Coluna de Sexta - 11/03/2022: Por que tanta pressa?


“De tudo que gastamos, o mais caro é o tempo”. Essa frase chegou até mim esses dias e me deixou extremamente pensativo. Em um mundo totalmente agitado, essa sentença nos apressa ainda mais. A nossa ansiedade duplica a velocidade ao ler essa afirmação, afinal não temos tempo a perder.
Acredito que o mais inquietante e, ao mesmo tempo, mais belo da vida é o fato de ela vir sem nenhuma receita. Não tem um passo a passo a seguir. Diferente da preparação de um bolo, por exemplo, a vida não dita qual é o tempo certo para cada etapa da nossa jornada. Nós é que tentamos padronizar um prazo para a nossa própria maturação. E em consequência disso, nos tornamos ainda mais afobados. A gente se baseia no tempo dos outros e esquece que temos um tempo exclusivamente nosso. Queremos correr porque os demais estão se formando, estão se casando, estão viajando ou fazendo sei lá o que, e acabamos tropeçando nos nossos próprios passos.
Nessa ânsia de maratonar contra o tempo, ele acaba nos vencendo no cansaço. Justamente porque não temos paciência de aprender que tudo vem ao seu tempo. Uma planta não consegue crescer, brotar e florescer no mesmo momento. Isso demanda um processo. Conosco não é diferente. Que o tic-tac do relógio, a areia caindo da ampulheta e os números passando no cronômetro não nos façam pular fases da nossa trajetória por achar que estamos atrasados.
O segredo está no equilíbrio entre não perder tempo com coisas fúteis e banais e aproveitar ao máximo cada instante, mas também de aprender a confiar que cada um de nós tem o seu próprio tempo. Citando o jornalista Anderson Costa: “melhor que ter pressa é ter propósito”.
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Narração: Carlos Eduardo Piva Wille



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