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Coluna de Sexta - 05/11/2021: Só sei que nada sei

Foto do escritor: Gustavo Tamagno Martins
Gustavo Tamagno Martins
5 de nov. de 2021
2 min de leitura

Ilustração: Pascal Campion

É fato que estamos nadando em um oceano de informações, mas isso não é sinônimo de sabedoria. Pelo contrário, se não cuidarmos nos afogamos na nossa própria ignorância. Foi em um momento de estudos e pesquisas que provei da célebre frase do Sócrates: “só sei que nada sei”. Percebi claramente que quanto mais eu buscava aprender, mais eu entendia que não sabia nada. Eu constatei o quanto ainda tenho a desvendar e que ainda assim não terei ciência nem de parte do todo. Para o filósofo, não era diferente. Ele entendia que saber que não sabe não é um defeito, mas a base para a busca do verdadeiro conhecimento.


Acho tão chato e desagradável (e quem não acha?) conviver com pessoas arrogantes que pensam que já sabem tudo e não precisam aprender mais nada. Você fala sobre algum assunto, a pessoa comenta como entendida. A gente menciona algum filme, a pessoa já assistiu. Nós relatamos uma situação, a "bendita" já passou por aquilo outras trocentas vezes. É a síndrome do sabe-tudo. E por outro lado, conheço mestres e doutores que preferem se calar do que elencar todos os seus títulos e graduações. Nem mesmo a sua posição e elevada instrução são motivos para diminuir o outro.


Ao mesmo tempo que é desesperador, é estimulante concluir que nós somos limitados e realmente não sabemos tudo. Temos tanto a descobrir ainda, principalmente uns com os outros. O sábio não é aquele que sabe tudo sobre todas as coisas, mas aquele que reconhece não saber e que ainda precisa aprender muito. A demonstração da nossa fronteira do conhecimento só eleva o nosso grau de superioridade. É preferível dizer “só sei que nada sei” do que fingir deter toda a sabedoria sem tê-la.

 
 
 

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