Coluna de Sexta - 22/10/2021: Tocar o coração das pessoas


Parece tão óbvio, mas às vezes, é preciso lembrar: tocar as pessoas vai muito além de encostar nelas. É muito mais do que ter o contato físico, do que apalpar. Tocar é sobre as marcas que a gente deixa. É sobre como as pessoas lembram da gente. O distanciamento social e o isolamento nos ensinaram mais do que nunca que a gente pode tocar as pessoas com um olhar, com palavras carinhosas e empáticas e até mesmo com uma oração ou pensamento positivo.
Gosto muito de uma frase do grande psiquiatra e psicoterapeuta Carl Jung que diz assim: “conheça todas as teorias, domine todas as técnicas, mas ao tocar uma alma humana, seja apenas outra alma humana.” O nosso poder de tocar o coração das pessoas exige muita responsabilidade. Não é simplesmente sair por aí disseminando o que bem entendo e mentindo sentir o que de fato não sinto. Sempre lembro de uma comparação em que uma madeira ao ter um prego fixado em sua superfície, por mais que ele seja retirado, ela continuará com aquela marca para sempre. Não volta a ser como antes. Assim somos nós. Um toque mal cuidado pode causar feridas permanentes. Um sentimento falsificado pode abrir buracos difíceis de cicatrizar.
Que possamos aprender a tocar o coração das pessoas de maneira positiva. Que sejamos a melhor companhia para aqueles que nos rodeiam. Que sejamos a nossa melhor versão para que quando precisamos ir embora, possamos deixar boas lembranças e uma marca boa registrada. Que a gente dê o nosso melhor e aprenda a tocar as pessoas em tudo que fizermos. Inclusive, se esse texto tiver te tocado, a minha missão já estará sendo válida. O importante é tocar as pessoas, não se esqueça disso. Concluo parafraseando a sábia Cora Coralina: “não sei se a vida é curta ou longa demais pra nós, mas sei que nada do que vivemos tem sentido, se não tocamos o coração das pessoas”.



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