Coluna de Sexta - 15/10/2021: Como está o seu coração?


Em todos os meus textos gosto de salientar o orgulho que tenho por minha mãe ser a minha melhor amiga e a minha confidente. Ela entende até mesmo o que eu não digo, mas apenas sinto. Ela sabe quando as coisas não vão bem. Dias desses, em um abraço silencioso que costumamos dar, ela me perguntou: “como está o seu coração?”. Para disfarçar o questionamento complexo, respondi de imediato com um sorriso: “batendo”.
Se o que a gente vive molda o que somos hoje, o que sentimos influencia no modo que o nosso coração age. Aliás, o coração deveria ser colocado em uma caixinha como armazenamos os vidros na lixeira, com aquele alerta: "Cuidado! Frágil!”. Nesse mundão tem tanta gente despreparada ao manusear o coração do outro, por isso, o receio em entregar para qualquer pessoa que chega e pede por ele.
Como está o meu coração? Segue bombeando sangue, mas também continua se entregando com tudo no que surge. Se é para amar, ele não sabe dosar a medida, ele vai no nível máximo. Se é para realizar alguma tarefa, lá está ele. “Isso nem é pra ti”, diria, mas ele insiste em aparecer de intruso. Ele pulsa a adrenalina, bate aceleradamente e se reconstrói das vezes que precisou quebrar para parar de sentir.
Meu coração gosta mesmo é de viver com toda a intensidade. Por mais que as cicatrizes dele tirem toda aquela beleza de coração novo, elas mostram o quanto
já aprendemos juntos. Aprendemos que deve haver um equilíbrio entre a razão
e a emoção. Elas nos ensinam que não importa as adversidades que apareçam,
o nosso coração merece ser leve e feliz, e quando a gente menos esperar chega algum outro coração com a mesma vibe para ajudar a sarar as feridas. Tem coração que apenas bate. O meu está aqui escrevendo mais esse texto. Como está o seu coração?



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