Coluna de Sexta - 20/08/2021: E se você descobrisse que está morrendo?


Uma coisa que me intriga é o fato de ao fazermos aniversário surgir aquela pergunta reflexiva: um ano a mais ou um ano a menos? Pois então. Depende muito da perspectiva. É o óbvio: um ano a mais vivido e um ano a menos para viver. Uma conta simples que é bem complexa e difícil de entender.
Nessa vida, o importante não está em levar, mas sim em deixar. Deixar bons exemplos, histórias inspiradoras, sorrisos sinceros e lembranças inesquecíveis. Deixar a nossa marca na vida das pessoas. Um bom legado. E deixar saudades quando nos ausentarmos.
Agora eu pergunto: e se você descobrisse que está morrendo? Seria mais tolerável com aquele que pensa diferente de você? Amaria com mais intensidade quem tanto te ama? Tentaria de toda forma realizar aquele sonho que vem sendo adiado há tempos? Ia continuar com vergonha de dizer que ama? Perderia ainda o seu tempo com trivialidades? Seguiria guardando rancores e não pedindo desculpa? E se eu te disser que você está morrendo? Ou melhor, todos nós estamos. E aí? Está tudo em ordem?
Que a gente aprenda a se despedir das pessoas um pouco a cada dia. Que possamos aproveitar cada momento por mais pequeno e simples que seja. Que a gente aprenda a deixar tudo em dia se precisarmos partir. Que os “te amo” sejam pronunciados. Que os mal-entendidos sejam esclarecidos. Que os perdões sejam pedidos e aceitos. Que a vida seja vivida da forma mais intensa e profunda possível. O brilhante Mário Quintana concluiria esse texto aconselhando: “Não faças da tua vida um rascunho. Poderás não ter tempo de passá-la a limpo”.



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