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Os vovôs estão on: cresce o número de pessoas maiores de 60 anos com acesso à internet

Foto do escritor: Gustavo Tamagno Martins
Gustavo Tamagno Martins
26 de jul. de 2022
3 min de leitura

Atualizado: 26 de jul. de 2022

Reportagem produzida para a revista Conectaverso, desenvolvida na disciplina de Projeto Editorial Gráfico e Digital.


No Brasil, o número de pessoas com mais de 60 anos com acesso à internet subiu de 68%, em 2018, para 97%, em 2021


Fotografia: Gustavo Tamagno Martins

Em um mundo cada vez mais conectado, a pergunta que não quer calar é: existe vida sem a internet? Até mesmo os vovôs estão se adaptando ao uso dos meios tecnológicos e já são maioria. É o que aponta uma pesquisa realizada pela CNDL e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), em parceria com a Offer Wise Pesquisas. Os dados apurados indicam que o número de pessoas com mais de 60 anos com acesso à internet passou de 68%, em 2018, para 97%, em 2021. Isso representa que o avanço do número de idosos navegando na rede mundial de computadores corresponde a 29%, em menos de quatro anos.


Conectada há cerca de quatro anos, a aposentada Catarina Campos, de 63 anos, recebeu a reportagem em sua casa, na Zona Norte de Caxias do Sul, para falar sobre a sua dependência cada vez maior pela internet. De imediato, dava para perceber que a idosa tinha se produzido para o bate-papo, com uso de adereços, perfumada e com o cabelo penteado. Enquanto conversávamos, a chapecoense mexia em suas redes sociais e já era possível notar suas três grandes paixões: os filhos, o Internacional e a música gaúcha. “Hoje eu uso mais o Whats e o Face. Olho bastante e gosto de ler as coisas boas que os amigos postam, olhar as fotos e eu curto muito a música de grupo”, destaca ela.


Catarina percebeu a necessidade de se conectar após ganhar um smartphone da filha. “Eu acho muito bom! A gente pode se entreter, pode conversar. Tenho muitos parentes e arrumei muitos amigos. Senão a gente se sente só, às vezes. Não tem com quem conversar”, descreve.


Por outro lado, o marido de Catarina, Luís Gambim, de 81 anos, mesmo com a esposa conectada, tem resistido a permanecer offline nas redes e se inclui naqueles 3% do público com mais de 60 anos que não acessam a internet. De início, inclusive, o idoso lidou com estranhamento ao fato dela mexer no celular, mas hoje não reclama mais da situação. “Ele tem um celular comunzinho, de ligar só, daí até quando eu tenho que falar com alguém da família dele, eu falo pelo Whats. Ele me pede e daí eu faço assim”, conta.


Além das redes sociais, a aposentada afirma que também baixou aplicativos de supermercados e de transportes. Ela conta que uma vez teve a necessidade de acionar um motorista do Uber, mas precisou da ajuda de uma amiga.


CONECTADA PARA AFASTAR A SOLIDÃO


A dona Lorena Pedroso também faz parte do time das vovós conectadas. Viúva há oito meses e prestes a completar 70 anos de idade, a aposentada percebeu a internet como uma das formas para afastar a solidão. “Sempre é bom para a hora que a gente precisa. Para mandar ou receber uma mensagem, a gente sabe que pela internet é mais fácil. Como agora eu fiquei sozinha, então é mais fácil de eu me comunicar com os filhos e com os netos. Antes eu tinha um neto que morava comigo, mas agora foi embora”, relata.


Fotografia: Gustavo Tamagno Martins

Além do celular, a idosa chega a ter um computador em casa, mas não faz uso por causa da falta de habilidade com o equipamento. “Eu uso mais o celular. Aprendi um pouco eu mesmo mexendo e depois os netos e os filhos me ensinando um pouco. Com o tempo e com calma a gente vai entendendo como funciona, mas chega em uma idade em que a cabeça não fica muito boa. Uso mais o Whats e faço pesquisas, porque não aprendi tanto ainda”, explica Lorena.


Inclusive, a idosa lista outro benefício da internet: ajudar o cérebro. Foi o que também concluiu um grupo de pesquisadores da Universidade de Passo Fundo (UPF), ao realizar um estudo com idosas acima de 65 anos. As participantes das oficinas de navegação na internet apresentaram uma melhora significativa na memória e na atenção, enquanto o grupo que ficou offline, regrediu nas mesmas funções. “É uma coisa interessante, que entretém a gente. Com uma certa idade é muito bom a gente fortalecer a memória, por isso eu também procuro ler algum livro, fazer caça-palavras, mas a internet é boa, não só para idosos, mas para os jovens também, se saber usar”, conclui a idosa.


PRINCIPAIS MOTIVOS DA CONEXÃO DOS IDOSOS

- Se informar (64%)

- Manter contato com outras pessoas (61%)

- Buscar informações sobre produtos e serviços (54%)


APLICATIVOS MAIS USADOS PELOS IDOSOS

- Redes Sociais (72%)

- Transporte Urbano (47%)

- Bancários (45%)


REDES SOCIAIS PREFERIDAS DOS 60+

- WhatsApp (92%)

- Facebook (85%)

- YouTube (77%)


Fonte: CNDL, SPC Brasil e Offer Wise Pesquisas


 
 
 

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