Coluna de Sexta - 26/11/2021: Mentalmente exausto


Desculpa, mas já começo esse texto cansado. Exausto, para falar a verdade. Não tem problema não estar bem todos os dias, isso deve ser considerado normal. No entanto, o que me traz ao estágio que estou agora é preocupante e atinge grande parte das pessoas atualmente. Chama-se nada mais, nada menos do que Síndrome de Burnout. Sabe aquela sensação de que mesmo fazendo um turbilhão de coisas por dia, a gente sempre está se sentindo em débito com alguém - ou com nós mesmos? Pois então!
A uma geração que já acorda com o celular na mão, - me incluo na lista, obviamente - não pode se esperar menos do que isso. Para pessoas que tomam café enquanto respondem mensagens. Que leem notícias ao mesmo tempo em que escovam os dentes. Que assistem vídeos durante os exercícios físicos. São tantas informações captadas que não é nem o corpo em si que falha, mas a mente. Como é o cérebro que comanda o resto, já viu… o corpo segue o esgotamento. E o cansaço mental é mil vezes pior, pois a gente está o tempo todo conectado, recebendo informações e digerindo isso, sem descansar.
Recentemente, estive mergulhado em um livro excelente da jornalista Izabella Camargo. A obra intitula-se “Dá um tempo! Como encontrar limite em um mundo sem limites”. A comunicadora, que teve experiência com a síndrome, compara esse distúrbio a uma mala de viagem. “Imagine você preenchendo essa mala com roupas, sapatos e afins. Ela já está no limite, mas você insiste em colocar mais coisas dentro dela. Com o tempo, o que provavelmente pode acontecer com o zíper? Estourar”, explica. A cobrança por transformar cada segundo da vida em algo produtivo e fazer mil coisas ao mesmo tempo nos levam a isso.
Somado a esses fatores, também recordo de uma frase que li há dias atrás e faz todo o sentido. Ela diz assim: “a maior parte do tempo que você se sente cansado não é porque você fez muito, mas porque você fez pouco daquilo que te faz se sentir vivo”. Quer mais verdade que isso? Que possamos - começando por eu que cheguei nessas condições - parar, respirar, pensar no que precisamos mudar para não pifar a nossa “máquina”. A gente se cobra tanto, pensa muito e procura se contentar com o que não nos faz feliz. Aí que mora o problema. Os fatores se unem e nós adoecemos. Que a gente saiba identificar as engrenagens que nos fizeram paralisar.



Comentários