Coluna de Sexta - 24/02/2023: Por que escrevo?


Uma das principais curiosidades que as pessoas têm sobre quem escreve, e muitas vezes receiam ou não têm oportunidade de pedir, é o motivo pelo qual elas escrevem. A outra diz respeito a como essa pessoa transforma suas ideias em texto. Nas escolas, onde tenho o privilégio de conversar com estudantes, sempre procuro responder - ou pelo menos abordar essas questões. “Por que escrever?”, já dizia Fernando Sabino, é uma questão tão complexa quanto se perguntassem: “Por que viver? Por que amar? Por que morrer?” E o ato de escrever vai além dessa enigmática, também varia de pessoa para pessoa. Para a Rachel de Queiroz, por exemplo, a escrita significava um desejo interior de dar o seu testemunho do seu tempo, da sua gente e principalmente de si mesma.
Inicialmente, José Saramago declarou que escrevia para se tornar imortal. Depois, concluiu que escrevia mesmo era para compreender… O que exatamente? Não sabemos ao certo! Para Drummond, a escrita o permitia exprimir algumas de suas inquietações e os seus problemas íntimos. Quando projetados no papel, revelava ele, servia como uma espécie de psicanálise dos pobres, sem divã, sem nada. Para Moacyr Scliar, escrever se tornou a consequência de uma vida ligada a contações de histórias e muitas leituras. Entre tantos conceitos, Clarice declarou que assim como viver, escrever era o que a renovava conforme o tempo ia passando.
João Cabral de Melo Neto foi mais metódico. Ele explicava que a gente escreve por dois motivos: ou por excesso de ser ou por falta de ser. Escrevemos por estarmos transbordando ou simplesmente para nos sentirmos completos. Fernando Pessoa foi mais direto, mas não menos intenso, ao afirmar que escrevia para salvar a alma. Aliás, todos esses ricos depoimentos estão inseridos na coletânea organizada por José Domingos de Brito que, por óbvio, leva o nome de “Por que escrevo?”.
E afinal, por que eu, Gustavo, escrevo? De certo modo, compactuo com as definições de todos esses grandes mestres da escrita. Escrever é a minha terapia. Quando jogo minhas palavras ao mundo, me sinto mais leve. A escrita é a válvula de escape que encontrei para contornar a minha timidez. Assim como os artistas pretendem se expressar com suas criações, percebo os textos como o meu modo mais íntimo de falar com as pessoas e, quiçá, também uma forma de tocá-las. Para concluir, não posso deixar de citar ainda o grande Flávio Ferrarini, que resume tudo isso: "escrevo não porque quero, mas porque preciso, como preciso respirar. Não vivo para escrever, mas escrevo para viver”.



Comentários