top of page

Coluna de Sexta - 21/04/2023: Sozinhos somos uma ilha

Foto do escritor: Gustavo Tamagno Martins
Gustavo Tamagno Martins
21 de abr. de 2023
2 min de leitura

Ouvi essa expressão numa aula da minha pós-graduação e me marcou muito. Ao mesmo tempo em que cada um de nós é apenas um grão de areia no universo, também somos, um a um, peças indispensáveis para o funcionamento da grande engrenagem da coletividade. É impressionante quando a gente percebe que sozinhos podemos até desenvolver alguma coisa, mas em parceria com os outros, podemos muito mais.


Na semana passada, eu precisei coletar sangue para exames e me impressionei com tamanho amor e educação da enfermeira que me atendeu. Dava para perceber nitidamente que a mulher, que não deveria ter mais do que 25 anos, ama muito o que faz. E mais do que isso: ama as pessoas e entende que sem elas, o seu trabalho é praticamente inaplicável. O relógio recém marcava sete horas da manhã e ela já apresentava um sorriso invejável no rosto e gentilmente me agradecia por cada pedido: "coloque seu braço aqui!", "obrigada!". Fecha a mão!", "obrigada!". "Segura esse algodão enquanto pego o curativo!", "obrigada!". "Deixa o braço dobrado um pouquinho", "obrigada". Fiquei até sem jeito para tamanha gentileza. Somos surpreendidos com tantas pessoas estúpidas e egoístas que a gente já sai de casa vacinado contra tanta ignorância e falta de educação que encontra por aí. Ainda bem que ainda existem pessoas como aquela enfermeira. O mundo não está todo perdido. Ela nos faz honrar o nosso título de humano.


Cada um representa uma ilha, por vezes até desconhecida por nós mesmos. Não é questão de sermos incompletos e totalmente dependentes um do outro. É sobre sermos inteiros e percebermos que estamos sempre em evolução conforme as trocas com as demais pessoas. Portanto, precisamos uns dos outros. E para estabelecermos um bom contato com as outras ilhas, é importante que conheçamos a nossa própria ilha, ou seja, o nosso próprio ser. Saramago dava a dica: “é preciso sair da ilha para ver a ilha. Não nos vemos se não saímos de nós”. E sair da ilha não é nos distanciarmos da nossa essência. Pelo contrário, é uma forma de nos analisarmos em outros ângulos e entendermos, de fato, aquilo que faz nós sermos o que somos e como somos. Sozinhos somos uma ilha, mas em conjunto formamos esse lindo e vasto arquipélago. Vamos ser mais gentis e pegar mais leve!

 
 
 

Comentários


bottom of page