Coluna de Sexta - 08/04/2022: “E quando eu partir?”


Sem sombra de dúvida, o amor está nas coisas mais simples, muitas vezes, até mesmo implícitas. O amor está no "leva o guarda-chuva!". O amor se esconde atrás do "fiz comida para você". Nesta semana uma amiga me perguntou qual é o meu maior medo. Para um indeciso e medroso de carteirinha, esse pode soar como um questionamento bem complicado. Dessa vez não precisei pensar muito e logo respondi: meu maior medo é perder as pessoas que amo.
No mesmo dia, fui até a casa da minha avó dar o beijo de boa noite, assim como faço todas as noites. Encontrei ela bem sentimental e tristonha. "Por que tá triste, vó?". "Eu te amo e te adoro tanto", iniciou ela. Já abraçando-a, falei: "eu também te amo muito". "E quando eu partir? Como que eu vou poder partir e te deixar aqui?", balbuciou. Fui pego de surpresa e aqueles dizeres cortaram meu coração. Sem palavras, tentei amenizar: "vó, não fica pensando nessas coisas!"
A gente nem gosta de pensar na dor da despedida, no quanto a saudade é dura e cruel. Mas a gente também se esquece que estamos nos despedindo todos os dias das pessoas com as quais convivemos. Pouco a pouco. Justamente porque não sabemos quando chegará a hora de cada um. Que saibamos aproveitar cada momento, não ter vergonha de dizer "te amo" e também saber pedir perdão. Amanhã é tarde!
E quando minha vó partir? Infelizmente, é inevitável. Vou sentir muito, podem ter certeza. A nossa ligação é "de outro mundo". Vai abrir um buraco enorme aqui dentro, porque um pedaço de mim irá embora. Não vou mais poder dar boa noite, dizer que a amo e muito menos contar com as orações dela. Mas quero guardar as melhores lembranças e poder dizer: aproveitei enquanto estive com ela, não deixei nada a dizer, fiz tudo o que esteve ao meu alcance.



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