Coluna de Sexta - 31/12/2021: Flores para os vivos


Uma música que minha irmã estava tocando e cantando na sala me inspirou para esse texto, o último do ano. A canção falava sobre flores. Logo veio à minha mente a memória de quando presenteei uma pessoa querida com um ramalhete. Lembrei também de algumas pessoas que criticaram a atitude, na época, alegando ser um presente ultrapassado ou mesmo um mimo para se dar apenas aos mortos. Mesmo assim, as flores foram enviadas, a atitude foi demonstrada e é isso que importa.
Assim como gosto de ser presenteado, curto muito dar presentes. E mais do que isso, admiro e tento ser aquelas pessoas que presenteiam sem uma razão específica. O ato de dar uma lembrancinha sem ser uma obrigação, sabe? Não é aniversário e não tem nenhuma festividade? Não tem problema! O presente comemora a vida, celebra a amizade e demonstra o amor. Inclusive, acho o máximo que minha mãe compra com frequência flores para presentearmos a vó. Afinal, é agora que ela vai poder ver, cheirar e apalpar cada pétala. Depois que ela partir, pouco adianta. Tem uma frase do Diário da Anne Frank que diz muito em poucas palavras: “os mortos recebem mais flores do que os vivos porque o remorso é mais forte que a gratidão”.
Na minha opinião, flores ou qualquer que seja o presente não é ultrapassado e nem apropriado para ofertar somente os falecidos. Ultrapassado é não demonstrar o que se sente. Para os mortos, o que podemos fazer de mais bonito é tê-los sempre em nossa memória, assim eles permanecem sempre vivos, imortais. Antes que perguntem, eu já deixo bem claro: se quiserem me dar flores, me deem agora. A preciosidade não está no tamanho ou no valor do presente, mas no sentimento que entregamos junto. Meu desejo é que 2022 seja regado de sentimentos demonstrados, flores dadas em vida e pétalas de esperança, prosperidade e saúde.



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