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Coluna de Sexta - 28/01/2022: Desassossego

Foto do escritor: Gustavo Tamagno Martins
Gustavo Tamagno Martins
27 de jan. de 2022
1 min de leitura

Ilustração: Pascal Campion

Pela manhã, o rádio do carro tocava “Desassossego”, do João Chagas Leite. A canção, mesmo tocada em um momento do dia que ainda estou procurando saber quem sou, despertou a minha atenção. Fiquei calado refletindo a melodia e a letra daquela música que até então não tinha ouvido. Ao chegar em meu quarto, no final do dia, qual livro me esperava brilhando na estante? “O Livro do Desassossego" do grande Fernando Pessoa. Bom, foi um sinal para mostrar o quanto inquietos somos.


Somos, por natureza, uns desassossegados em busca de respostas. Temos essa inquietação com a gente de sempre querer avançar para o próximo passo. Até certo ponto isso é bom demais. Se todos fossem sossegados não existiriam tantas descobertas, invenções e inovações. Contudo, essa adrenalina de almejarmos viver tudo hoje, fazer tudo às pressas e não desacelerar nos adoece e nos deixa exaustos.


Um tempo atrás, olhei um meme feito a partir de uma mensagem motivacional bem conhecida por aí. Na verdade, nem podemos considerar como uma sátira, mas sim como uma crítica social. A frase que altera o final da reflexão cospe na nossa cara: “treine enquanto eles dormem, estude enquanto eles se divertem, persista enquanto eles descansam, sofra de síndrome de Burnout aos 30 e morra de um AVC aos 40”. Não somos máquinas e a vida não é uma corrida sem semáforos. Precisamos desacelerar para não enlouquecer. Por vezes necessitamos sossegar um pouco, mas não estacionar na vida. Não é sobre ser devagar, mas sim sobre sair do automático e continuar em movimento. Ao desacelerar é que conseguimos aproveitar com mais intensidade cada momento.

 
 
 

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