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Coluna de Sexta - 10/12/2021: Por que sentir não é um sentido?

Foto do escritor: Gustavo Tamagno Martins
Gustavo Tamagno Martins
10 de dez. de 2021
2 min de leitura

Ilustração: Pascal Campion

Como sempre, os pequenos momentos do meu dia a dia agitado me conduzem para reflexões tão profundas. Dessa vez não foi diferente. Ao passar por um caminho cheio de plantas e flores, me permiti tirar a máscara por um tempo para apreciar aquele ar puro com uma fragrância única. Com aquele gesto percebi o quanto somos privilegiados por termos os cinco sentidos. É notável que alguns sejam menos aguçados e há quem não tenha algum deles. E não tem nada de errado nisso. Já percebeu que as pessoas que têm a ausência ou deficiência de algum sentido acabam aflorando outro de forma mais intensa?


Olfato, tato, visão, audição e paladar. Beleza! Por mais que possa parecer redundante, por que o sentir não é um sentido? Sentir a fragrância do perfume da pessoa amada, sentir o sabor daquela comida que "enche os olhos" e sentir a mão da outra pessoa ao nos cumprimentar. Tudo isso está incluso no pacote Sentidos. Mas e sentir? De sentimento mesmo! Posso sentir paz, alegria, felicidade, amor, paixão e até realização. Por outro lado, posso sentir angústia, aflição, tristeza, raiva, ciúmes, ódio, além de frustração. E tudo isso não conta como um sentido.


Para sentir ou para deixar marcas não é necessário apalpar, ver, ouvir, cheirar ou degustar. Afinal, existem lágrimas que não molham, feridas que não sangram, gritos que são silenciosos e cicatrizes que são invisíveis. Seguindo essa ideia, gosto muito de um poema do Gabriel Castro que diz assim: “Já ouvi silêncios sábios / Já ouvi conselho vão/ Já vi beijos sem usar os lábios / E toque sem usar a mão. / E dessa observância calma / Um verso eu deixo de lição: / ‘Feliz é quem toca com a alma / E enxerga com o coração’”. Por mais que não seja um sentido, vamos nos permitir sentir? E mais do que isso, demonstrar o que sentimos enquanto há tempo.

 
 
 

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